Celular na Black Friday: como escolher o modelo certo
Celular é o produto mais disputado da Black Friday e também o que mais gera arrependimento. A vitrine fica cheia de "ofertas imperdíveis", a ficha técnica vira uma sopa de siglas e números, e a pressa de aproveitar o desconto empurra muita gente para o aparelho errado: potente demais para quem só usa WhatsApp e banco, ou fraco demais para quem joga e fotografa. Este guia organiza a escolha na ordem certa. Primeiro você define o uso; depois aprende a ler o que importa na ficha técnica; em seguida decide entre lançamento e modelo anterior, nacional e importado; e só então vai atrás do preço, com o histórico na mão e sem cair nos golpes que aparecem todo ano em novembro.
Antes de abrir qualquer anúncio: defina o uso
Todo celular é um pacote de escolhas entre desempenho, câmera, bateria, tela e preço. Nenhum aparelho é o melhor em tudo pelo mesmo valor, e é por isso que a pergunta "qual o melhor celular?" não tem resposta. A pergunta útil é "qual o melhor celular para o que eu faço?". Quase todo mundo cabe em um destes quatro perfis, ou numa mistura de dois:
- Uso básico: WhatsApp, redes sociais, aplicativo do banco, Pix, vídeos, GPS e ligações. É o perfil da maioria e o que mais desperdiça dinheiro quando compra topo de linha "para garantir".
- Fotos e vídeos: quem registra filhos, viagens, comida, produtos para vender ou conteúdo para redes. Aqui a câmera manda, e a qualidade do conjunto (sensor, estabilização e processamento) pesa muito mais do que o número de megapixels.
- Jogos: quem passa horas em jogos 3D e competitivos. Prioriza processador, controle de temperatura, tela fluida e bateria.
- Trabalho: e-mail, reuniões por vídeo, documentos, autenticação em dois fatores, duas linhas (pessoal e profissional) e muitas horas longe da tomada. Prioriza bateria, memória, atualizações e confiabilidade.
| Perfil | O que priorizar | Onde dá para economizar | Sinal de alerta no anúncio |
|---|---|---|---|
| Uso básico | Bateria, armazenamento folgado, tempo de atualização | Processador topo, câmeras extras, carregamento muito rápido | Pouco armazenamento "compensado" por cartão de memória |
| Fotos e vídeos | Câmera principal com estabilização óptica, vídeo estável, armazenamento | Câmeras auxiliares de enfeite, tela com taxa altíssima | Número gigante de megapixels sem falar de estabilização |
| Jogos | Processador e controle de temperatura, RAM, tela de 90 Hz ou mais, bateria | Câmeras extras, acabamento premium | "Celular gamer" que não informa qual é o processador |
| Trabalho | Bateria, RAM, atualizações longas, NFC, eSIM ou dois chips | Câmera de ponta, tela com taxa altíssima | Fabricante que não informa por quanto tempo atualiza o sistema |
O que olhar de verdade na ficha técnica
A ficha técnica de um celular tem dezenas de linhas, mas só umas oito decidem a experiência. Elas vêm abaixo, na ordem em que costumam pesar.
Processador: escolha pela faixa, não pelo nome
O processador (também chamado de chip ou plataforma) define a fluidez, o desempenho em jogos, a qualidade do processamento das fotos e parte da duração da bateria. As grandes famílias que aparecem nos anúncios são Qualcomm Snapdragon, MediaTek Dimensity e Helio, Samsung Exynos, Google Tensor, Unisoc e, nos iPhones, os chips da série A da Apple. Cada fabricante de chip tem linhas para aparelhos de entrada, intermediários e topo de linha, e o número da linha costuma indicar a faixa. Mas a numeração muda de um fabricante para outro e de um ano para outro, então decorar nomes não funciona.
Uma regra prática funciona melhor:
- Uso básico: um chip intermediário recente dá conta com folga. Chips de entrada muito antigos são o motivo número um de aparelho "lento desde a caixa".
- Fotos: um intermediário de geração recente já processa bem as imagens. O que diferencia é o conjunto da câmera e o software do fabricante.
- Jogos: aqui vale subir para um chip intermediário-avançado ou topo de linha, e ler avaliações que testem sessões longas. Muitos aparelhos rendem bem nos primeiros minutos e depois reduzem o desempenho para não esquentar.
- Trabalho: um intermediário recente basta, desde que acompanhado de RAM suficiente.
Desconfie de anúncio que esconde o nome do processador ou fala só em "octa-core" e "alta performance". Se o vendedor não diz qual é o chip, quase sempre é porque o chip é fraco ou velho. Com o nome em mãos, procure avaliações independentes do modelo exato em vez de confiar no texto do anúncio.
Memória RAM: cuidado com a "RAM expandida"
A RAM define quantos aplicativos ficam abertos ao mesmo tempo sem recarregar. No Android, para quem quer que o aparelho continue ágil por alguns anos, 6 GB é o mínimo confortável para uso básico e 8 GB ou mais é o ponto certo para quem joga, trabalha com muitos aplicativos ou pretende ficar quatro anos com o aparelho. Nos iPhones, a Apple não divulga a RAM no anúncio e o sistema administra a memória de outra forma, então a comparação direta com Android não faz sentido.
A cilada clássica é o anúncio de "8 GB + 8 GB de RAM" ou "até 16 GB de RAM". A segunda parcela é RAM virtual: o aparelho usa um pedaço do armazenamento como se fosse memória. Ajuda um pouco, mas é bem mais lenta do que a RAM de verdade e ainda ocupa espaço. Para comparar modelos, considere só o primeiro número.
Armazenamento: pense no que você vai acumular em quatro anos
Fotos, vídeos, áudios e figurinhas do WhatsApp e atualizações de aplicativos enchem a memória mais rápido do que parece. Para a maioria, 128 GB é o mínimo razoável e 256 GB é a escolha de quem fotografa, grava vídeo ou guarda arquivos de trabalho. Dois detalhes:
- Cartão de memória não substitui armazenamento interno. Muitos aparelhos nem têm mais a entrada, e aplicativos instalados no cartão rodam pior. Ele serve bem para guardar fotos e músicas, não para salvar um celular com pouca memória.
- O tipo de memória importa. Fichas que citam UFS indicam armazenamento mais rápido do que o eMMC, comum em aparelhos de entrada. A diferença aparece na abertura de aplicativos e na instalação de atualizações.
Bateria e carregamento
A capacidade em mAh é só metade da história: a eficiência do processador e da tela decide quanto essa carga dura. Dois aparelhos com a mesma bateria podem ter autonomias bem diferentes. Por isso, a fonte mais confiável são testes de autonomia em avaliações independentes, não o número da caixa.
No carregamento, a potência em watts indica o máximo que o aparelho aceita, e esse máximo só aparece com um carregador compatível. Confira na ficha se o carregador vem na caixa: vários fabricantes deixaram de incluí-lo, e o carregamento rápido anunciado pode depender de um modelo específico vendido à parte. Para quem pretende ficar muitos anos com o aparelho, recursos de proteção da bateria (limitar a carga a 80% ou carregamento adaptativo durante a noite) ajudam a preservar a vida útil.
Câmera: megapixels não são tudo
O número de megapixels é o dado mais destacado nos anúncios e o que menos diz sobre a qualidade da foto. O que faz diferença de verdade:
- Tamanho do sensor e abertura da lente: sensores maiores captam mais luz, e isso aparece nas fotos noturnas e em ambientes internos.
- Estabilização óptica (OIS): reduz fotos tremidas no escuro e deixa os vídeos muito mais firmes. Para o perfil de fotos e vídeos, é quase obrigatória.
- Processamento: o software do fabricante (HDR, modo noturno, tons de pele) pesa tanto quanto o hardware. Duas câmeras com o mesmo sensor entregam fotos diferentes.
- Câmeras auxiliares: uma ultra-angular decente e uma teleobjetiva de verdade (zoom óptico) agregam. Já as câmeras de 2 MP "macro" e "de profundidade" muitas vezes só servem para encher o módulo e a ficha técnica.
- Vídeo: confira resolução e taxa de quadros (4K a 30 ou 60 quadros por segundo) e se a estabilização funciona em todas as câmeras ou só na principal.
O melhor jeito de avaliar uma câmera é ver fotos e vídeos de amostra feitos por avaliadores independentes em situações parecidas com as suas: luz baixa, movimento, contraluz. Foto bonita de anúncio, tirada em estúdio, não serve como prova.
Tela: tipo, fluidez e brilho
- Tipo de painel: telas AMOLED/OLED têm pretos profundos e cores vivas; LCD (IPS) é mais comum em aparelhos de entrada e funciona bem, mas com contraste menor.
- Taxa de atualização: 90 Hz ou 120 Hz deixam rolagem e jogos visivelmente mais fluidos. Para o perfil de jogos, é prioridade; para o básico, é um conforto, não uma necessidade.
- Brilho: quem usa o celular na rua ou ao sol deve procurar avaliações que meçam o brilho máximo. Tela que some ao sol cansa todos os dias.
- Resolução: em telas grandes, prefira Full HD+. HD+ em tela grande deixa letras menos nítidas.
5G: precisa mesmo?
O 5G já funciona em muitas cidades brasileiras, e um aparelho comprado agora vai ficar com você enquanto a cobertura se expande. Por isso, para quem está comprando um intermediário ou topo de linha, faz sentido escolher um modelo com 5G. Para o perfil básico em região sem cobertura, um bom aparelho 4G continua plenamente funcional e o dinheiro rende mais em armazenamento e bateria. Antes de decidir, consulte o mapa de cobertura da sua operadora no seu bairro e no seu trabalho. Se for importar, confira também se o aparelho tem a faixa de 3,5 GHz (n78), a principal do 5G no Brasil.
Os detalhes que pesam no dia a dia
- NFC: permite pagar por aproximação, inclusive com Pix por aproximação nos aparelhos compatíveis. Depois de se acostumar, é difícil voltar atrás.
- Resistência à água e poeira (IP67/IP68): não é licença para mergulhar, mas salva o aparelho de chuva, respingos e quedas na pia.
- Dois chips ou eSIM: essencial para quem separa linha pessoal e profissional.
- Biometria: leitor de digital rápido e reconhecimento facial seguro facilitam desbloquear o aparelho e autorizar pagamentos.
Tempo de atualização: a especificação que quase ninguém lê
Todo fabricante de Android define por quanto tempo vai entregar atualizações de sistema (as versões novas do Android) e atualizações de segurança (as correções de falhas descobertas ao longo do tempo) para cada modelo. Essa promessa é uma das informações mais importantes de toda a compra, e quase nunca aparece no anúncio.
Ela importa por três motivos práticos:
- Segurança: celular guarda banco, Pix, e-mail, documentos e senhas. Um aparelho sem correções de segurança fica exposto a falhas conhecidas, que os golpistas exploram justamente porque sabem que muita gente usa celular desatualizado.
- Aplicativos: com o tempo, bancos e outros aplicativos passam a exigir versões mais novas do sistema. Um aparelho que parou de receber atualizações pode perder acesso a eles mesmo funcionando bem.
- Revenda: aparelho com suporte ainda ativo vale mais na hora de vender ou dar na troca.
As promessas variam muito entre marcas e entre linhas da mesma marca: de poucos anos nos modelos de entrada a até sete anos em alguns topo de linha recentes. Para descobrir a do modelo que você quer, consulte a página oficial de suporte ou o comunicado de lançamento do fabricante. Os iPhones costumam receber versões novas do iOS por vários anos, mas a Apple não publica um prazo fixo por modelo.
Modelo do ano anterior ou lançamento?
Na Black Friday, os maiores descontos raramente estão nos lançamentos mais recentes. Os modelos da geração anterior costumam ser os que mais caem de preço, porque as lojas precisam abrir espaço para a linha nova. Muitas vezes a diferença real de uso entre as duas gerações é pequena: um processador um pouco mais rápido, uma câmera ajustada, um recurso de software.
| Situação | Modelo do ano anterior | Lançamento |
|---|---|---|
| Promessa de atualizações | Já consumiu parte do prazo; confira quanto resta | Prazo completo pela frente |
| Desconto na Black Friday | Costuma ser maior e mais real | Costuma ser menor; o preço ainda está alto |
| Avaliações disponíveis | Muitas, inclusive de uso longo (bateria, defeitos recorrentes) | Poucas, quase sempre de primeiras impressões |
| Disponibilidade | Pode acabar o estoque das versões mais procuradas | Estoque normal |
| Melhor para | Quem quer o máximo por real e troca de aparelho a cada dois ou três anos | Quem quer ficar muitos anos com o aparelho ou faz questão do recurso novo |
A regra de decisão: compare o modelo anterior em promoção com o lançamento e com o intermediário mais recente da mesma marca. Se o anterior ainda tiver um bom prazo de atualizações e a diferença de recursos não mudar o seu uso, ele costuma ser o melhor negócio da data. Se restar pouco tempo de suporte, o desconto pode sair caro.
Versão nacional x importada
Nos marketplaces, o mesmo modelo aparece em "versão nacional" e em versões "global" ou "importada", às vezes por bem menos. A diferença de preço tem explicação, e ela pesa depois da compra:
- Homologação da Anatel: celulares vendidos no Brasil precisam ser certificados e homologados pela Anatel, que verifica segurança elétrica, emissão de radiação e compatibilidade com as redes. O aparelho homologado traz o selo da Anatel na caixa, e em muitos modelos o número aparece no próprio sistema, em Configurações, na área "Sobre o telefone" ou "Informações regulatórias". O programa Celular Legal, da Anatel, explica o que verificar antes de comprar e por que usar só aparelhos certificados.
- Garantia: a versão nacional tem garantia do fabricante no Brasil, com rede de assistência. A importada pode não ser atendida aqui, e aí qualquer defeito vira uma negociação com o vendedor, às vezes com envio para fora do país.
- Carregador e tomada: versões importadas podem vir com carregador de outro padrão de tomada, sem carregador ou com acessórios diferentes dos da versão brasileira.
- Faixas de rede (bandas): modelos feitos para outros mercados podem não ter todas as faixas usadas pelas operadoras brasileiras, como a de 700 MHz (banda 28) do 4G e a de 3,5 GHz (n78) do 5G. O resultado é sinal pior dentro de casa, no interior ou sem 5G.
- Sistema e idioma: alguns importados vêm com sistema regional, aplicativos de outro país ou, no pior caso, com software modificado pelo revendedor.
- Impostos: comprando de vendedor no exterior, o preço do anúncio pode não ser o preço final. Nosso guia de impostos em compras internacionais mostra como calcular antes de pagar.
| Item | Versão nacional | Importada / "global" |
|---|---|---|
| Homologação Anatel | Sim, com selo na caixa | Nem sempre; confira o selo e o número |
| Garantia do fabricante no Brasil | Sim, com assistência técnica | Depende da marca e do vendedor |
| Faixas de rede brasileiras | Completas | Podem faltar faixas de 4G e 5G |
| Carregador e tomada | Padrão brasileiro (quando incluso) | Pode vir de outro padrão ou faltar |
| Nota fiscal brasileira | Sim | Depende do vendedor |
Para a maioria das pessoas, a versão nacional compensa a diferença de preço. A importada só faz sentido para quem conhece bem o modelo, confirmou as faixas de rede e aceita abrir mão da garantia local.
Golpes comuns com celular em promoção
Celular é o alvo preferido de golpe na Black Friday porque junta desejo, valor alto e revenda fácil. Os golpes mudam de embalagem, mas seguem quase sempre os mesmos roteiros.
O anúncio "lacrado" com preço que não fecha
O plástico da caixa pode ser recolocado com facilidade, então "lacrado" não garante nada. Se o preço está muito abaixo do que todas as lojas grandes cobram pelo mesmo modelo, a explicação mais comum é aparelho recondicionado vendido como novo, versão sem homologação, produto de origem irregular ou simplesmente um anúncio que nunca vai entregar. Desconto real tem limite; quando o preço parece bom demais, compare com o histórico antes de acreditar. Nosso guia como saber se o desconto é real mostra o passo a passo.
O revendedor sem reputação
No marketplace, o produto é o mesmo, mas o vendedor muda tudo. Prefira lojas oficiais das marcas e vendedores com histórico longo de vendas e boas avaliações recentes. Desconfie de conta nova, com poucas vendas e preço muito baixo, e principalmente de quem pede para fechar a compra por fora: Pix direto, conversa no WhatsApp, link de pagamento próprio. Fora da plataforma, você perde a proteção da compra. Perfis em redes sociais e sites desconhecidos que anunciam celular "de leilão", "de importação direta" ou "de queima de estoque" merecem a checagem completa do nosso guia como identificar loja falsa.
O iPhone "vitrine"
No mercado de revenda, "vitrine" virou rótulo para iPhone que supostamente ficou exposto em loja e por isso sai mais barato. O termo não tem definição oficial e, na prática, muitas vezes esconde aparelho seminovo, recondicionado sem garantia, com bateria desgastada ou com peças trocadas. Antes de comprar um, exija nota fiscal e confira no próprio aparelho:
- Peças e histórico de serviço em Ajustes, Geral, Sobre: nos modelos recentes, o iOS avisa se tela, bateria ou câmera foram trocadas por peças não genuínas.
- Saúde da bateria em Ajustes, Bateria: capacidade bem abaixo de 100% denuncia uso.
- Bloqueio de ativação: o aparelho precisa estar apagado e desvinculado da conta do dono anterior. iPhone preso a outra conta não serve para nada.
- Cobertura de garantia: pelo número de série, o site de verificação de cobertura da Apple mostra a data aproximada de compra e se há garantia ativa. "Vitrine" com garantia vencida há tempos foi usado.
Réplicas e aparelhos com IMEI irregular
Há réplicas que imitam o visual de modelos famosos e rodam outro sistema por baixo, e aparelhos com IMEI adulterado ou clonado, que podem ser bloqueados pelas operadoras. A defesa é a mesma: comprar de quem tem reputação, exigir nota fiscal e conferir o aparelho ao receber.
Checklist ao receber o celular
- Filme a abertura da caixa sem cortes: se vier algo errado, o vídeo ajuda na reclamação.
- Disque *#06# e confira se o IMEI mostrado bate com o da caixa e o da nota fiscal.
- Confira o selo da Anatel na caixa e o modelo exato (memória, cor, versão).
- Teste chip, Wi-Fi, câmeras, alto-falantes, microfone, biometria e carregamento no primeiro dia.
- Problema? Compras feitas pela internet têm direito de arrependimento de 7 dias pelo Código de Defesa do Consumidor. Não deixe o prazo passar.
Acessórios: capinha, película e carregador
O desconto do celular some rápido se o aparelho cair sem proteção na primeira semana. Vale fechar os acessórios na mesma época, mas com critério:
- Capinha: precisa ser do modelo exato, porque a posição das câmeras e botões muda até entre versões do mesmo aparelho. Bordas um pouco elevadas em volta da tela e das câmeras protegem nas quedas de frente e de costas. Compare opções no ranking de capinhas de celular.
- Película: a de vidro temperado protege melhor contra riscos e impactos leves. Confira se é compatível com o leitor de digital na tela, se o seu aparelho tiver um, e se cobre bem as bordas curvas. Veja o ranking de películas de vidro.
- Carregador: se não vier na caixa, compre um com a potência e o padrão de carregamento rápido que o aparelho aceita, de marca conhecida e com selo da Anatel. Carregador sem procedência é risco para a bateria e para a casa. O ranking de carregadores turbo ajuda a comparar.
- Power bank: para quem passa o dia fora, confira capacidade, potência de saída e se tem carregamento rápido. Mais opções no ranking de power banks.
Os "kits" de brinde com capinha genérica, película e fone costumam valer pouco. Melhor escolher cada item pelo seu modelo do que levar um combo que não encaixa direito.
Como usar o FarejaPreço para escolher e pagar menos
Com o perfil definido e a ficha técnica decifrada, falta o mais difícil na Black Friday: saber se o preço do dia é bom de verdade. É isso que o FarejaPreço faz, registrando o preço dos produtos todo dia.
1. Comece pelos rankings
As páginas melhores smartphones e melhores smartphones 5G mostram os modelos mais vendidos, atualizados todo dia, com a ficha técnica lado a lado e uma coluna que indica o momento do preço de cada um. É um bom ponto de partida para montar a lista de dois ou três candidatos que atendem ao seu perfil. Para ver tudo o que acompanhamos, inclusive acessórios, a categoria Celulares reúne os produtos.
2. Abra o histórico de preço de cada candidato
Na página de cada produto há um gráfico com o preço registrado dia a dia. Ele revela o que nenhum anúncio conta: se o preço subiu nas semanas anteriores para o desconto da Black Friday parecer maior, qual foi o menor valor recente e se a "oferta" de hoje é mesmo diferente do preço normal.
3. Leia o indicador "vale a pena comprar agora?"
O indicador compara o preço de hoje com a média dos últimos 30 dias e com o menor valor do período, e resume em "bom momento para comprar", "preço dentro do normal" ou "acima do normal". Quando a loja anuncia um preço "de" que nunca apareceu no nosso histórico recente, o produto recebe o aviso de desconto suspeito. Como o veredito depende de dados, ele só aparece depois de pelo menos 7 dias de acompanhamento; antes disso, a página avisa que ainda está coletando.
4. Ative o "Avisar quando baixar"
Escolheu o modelo, mas o preço está acima do normal? Toque em "Avisar quando baixar" na página do produto. Você recebe uma notificação no navegador quando o preço cair, sem cadastro e sem e-mail. Fazer isso em outubro, com os candidatos já escolhidos, é a forma mais tranquila de pegar a queda certa sem passar a semana atualizando páginas.
5. Acompanhe a página da Black Friday
A página Black Friday sem maquiagem de preço separa os produtos que estão abaixo da média dos últimos 30 dias, os que estão no menor preço do período e os que têm desconto suspeito. A Black Friday 2026 cai em 27 de novembro, e muitas lojas começam as ofertas antes. O calendário completo está no nosso guia quando começa a Black Friday 2026.
O plano em quatro semanas
- Agora, em outubro: defina o perfil, liste o que mais incomoda no aparelho atual e escolha dois ou três candidatos nos rankings.
- Ainda em outubro: confira o prazo de atualizações de cada candidato, leia avaliações independentes e descarte quem não passa no seu perfil.
- Começo de novembro: ative o "Avisar quando baixar" nos finalistas e observe o histórico. Se o preço subir de repente, é sinal de maquiagem chegando.
- Semana da Black Friday: compre quando o indicador mostrar bom momento, em loja oficial ou vendedor com reputação, versão nacional, e feche os acessórios do modelo exato.
Conclusão
O celular certo na Black Friday é o que resolve o seu uso pelo menor preço real, não o que tem o maior percentual de desconto estampado. Defina o perfil com honestidade, olhe processador, RAM real, armazenamento, bateria e câmera pelo que entregam, confira por quanto tempo o fabricante vai atualizar o aparelho e prefira a versão nacional de vendedor confiável. O resto é paciência e dado: com o histórico de preço e o aviso de queda, você compra no dia em que o preço baixa de verdade.
Perguntas frequentes
Vale a pena comprar celular na Black Friday?
Vale, desde que você chegue com o modelo escolhido e acompanhe o histórico de preço. Celular costuma ter descontos de verdade na data, especialmente nos modelos do ano anterior, mas também sofre com "maquiagem de preço", quando o valor sobe antes para o desconto parecer maior. Com o histórico diário na mão, dá para separar uma coisa da outra.
Quanto de RAM e de armazenamento eu preciso?
No Android, 6 GB de RAM é o mínimo confortável para uso básico e 8 GB ou mais é o indicado para jogos, trabalho ou quem quer ficar quatro anos com o aparelho. No armazenamento, 128 GB atende a maioria e 256 GB é melhor para quem fotografa e grava vídeos. Desconsidere a "RAM expandida" ou virtual nas comparações.
Celular sem selo da Anatel funciona normalmente?
Pode funcionar, mas sem a garantia de que passou pelos testes de segurança elétrica, emissão de radiação e compatibilidade com as redes brasileiras, e frequentemente sem garantia do fabricante no Brasil. Aparelhos com IMEI irregular, adulterado ou clonado ainda podem ser bloqueados pelas operadoras. Prefira sempre aparelhos homologados, com o selo da Anatel na caixa.
É melhor comprar o lançamento ou o modelo do ano anterior?
Na Black Friday, o modelo do ano anterior costuma oferecer mais por real, porque recebe os maiores descontos e a diferença de uso para o lançamento costuma ser pequena. O cuidado é conferir quanto tempo de atualizações ainda resta: o prazo conta a partir do lançamento, não da compra.
Preciso de celular 5G?
Se você está comprando um intermediário ou topo de linha e mora em cidade com cobertura, sim: o aparelho vai durar anos enquanto o 5G se expande. Para uso básico em região sem cobertura, um bom 4G continua atendendo bem e o dinheiro rende mais em bateria e armazenamento.
Como saber se o desconto do celular é real?
Compare o preço do dia com o histórico do produto, não com o preço "de" que a loja anuncia. No FarejaPreço, cada produto tem um gráfico com o preço registrado diariamente e o indicador "vale a pena comprar agora?". Se o preço "de" nunca apareceu no histórico recente, o produto ganha o aviso de desconto suspeito.
